quarta-feira, 9 de maio de 2012
ontem, num pátio
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sob as minhas veias corre um rio
Rio de nada, nervos e aço
Subterrâneo, estranho e frio
Num leito estéril, seco, escasso.
Afluentes do desejo e do medo
Desaguam nesse rio já sem voz
Afogados nas águas de um segredo
Nascido na turbulência da foz.
Das margens crescem sonhos como teias
Prisioneiros de si mesmos nesse fio
Que tece, ensanguentadas, minhas veias.
Não há sonho que resista a esse rio.
Esperança arrastada pelas cheias
Que brotam, violentas, do vazio.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
agenda
quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
perguntas mais frequentes
terça-feira, 6 de março de 2012
herança
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
mais a norte
é no norte que o tempo é meu inteiro
pode esta gente ao sol ter a sorte
que a minha é ter no norte nevoeiro
o meu tempo é o do cinzento
dos dias que parecem esquecidos
mas que lembram na vibração por dentro
as festas com orquestras dos navios
o meu tempo é o da morrinha
uma forma muito própria de ser morte
humidade que escorre pela espinha
anunciando a vida mais a norte
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
roldana
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
fui dois
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
distância
domingo, 23 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
por favor
domingo, 18 de setembro de 2011
desta vez
segunda-feira, 11 de julho de 2011
convencimento
sábado, 9 de julho de 2011
mina
quando se percebe que nem a morte é uma saída, começa a viver-se uma condenação à vida. é um processo penoso e perpétuo, sem escapatória nem absolvição. uma pessoa descobre que todos os dias há-de acordar, com sol ou com chuva, doente ou saudável, sozinho ou acompanhado, mas que essas circunstâncias pouco ou nada importam porque o que unicamente importa é que nasceu mais um dia e ele terá que ser irremediavelmente vivido. o que faz do sono – quando ele é possível – o mais parecido com a trégua da morte. mas sim, nem sempre o sono é possível. há noites, e são muitas, em que a vida nos vai buscar ao catre e nos impõe algo muito parecido com a tortura do sono com que as tiranias tentavam quebrantar os prisioneiros mais obstinados. tu és resistente e forte porque aceitas a tua sorte. mas até quando vais aguentar o ferrão da revolta sem soltares o grito? por quanto mais tempo te conseguirás manter nesse torpor obediente, nessa maré vaza de auto-respeito e de vontade? e eis-me chegado a mim: está a minha alma soterrada numa mina funda ou é ela a mina funda?